Prestenção: Tame Impala - The Slow Rush

resenha por: Roma

The Slow Rush
Tame Impala
Ano: 2020
Selo: Universal Music
Auge: Posthumous Forgiveness, Instant Destiny


Entrar num longo hiato pode sempre ser uma via de mão dupla. Esperando bem ou mal todo mundo cria alguma expectativa sobre o retorno de alguém depois de longos anos e no caso da banda australiana não foi diferente. Pensar que o quarto álbum de estúdio sucede os aclamadíssimos Lonerism (Modular, 2012) e Currents (Interscope, 2015) torna o peso de responsabilidade pra The Slow Rush ainda maior.

Trazendo o suprassumo do pop psicodélico o álbum já te janta nos primeiros minutos com um groove delicinha bem setentista porém de hoje mesmo. O curioso e divertido dessa brincadeira com a estética temporal da sonoridade é que o álbum inteiro é desenhado em cima do tempo. Desde a capa até a sutileza no nome das músicas, cada uma das composições permeia entre assuntos que falam sobre revisitar o eu interior, resgatar traumas do passado, expor memórias afetivas ou até pedir pro tempo passar mais devagar.

"Se te chamarem, abrace-as/ Se te agarrarem, apague-as" é apenas uma das demonstrações do peso das memórias e experiências neste trabalho. Kevin Parker, vocalista e um dos principais compositores, cita que a nostalgia é uma droga e esse álbum é para os viciados nela. A verdade é que existem algumas drogas que você só vicia quando experimenta e a dependência aqui é muito bem construída nos últimos versos que dizem "Só um minuto, bata antes de ir lá fora/ Todas as suas vozes disseram que você não duraria um minuto lá".

Que seja só mais um ano ou só mais uma hora. O importante é que você reserve um tempo pra apreciar o mais novo trabalho de Tame Impala.