Prestenção: Tune-Yards - sketchy.

resenha por: Roma

sketchy.
Tune-Yards
Ano: 2021
Selo: 4AD
Auge: hypnotized, hold yourself.


Ao marcarem a década passada com um indie-pop que beirava o experimental e o psicodélico, e depois de um pequeno hiato de quase três anos, a dupla composta por Merrill Garbus e Nate Brenner retoma os holofotes com um novo registro de inéditas desta vez com ainda mais mesclas de sonoridades, mas sem perder aquilo que o projeto sempre se preocupou em trazer.

A divulgação do novo trabalho através dos singles nowhere, man., hold yourself. e hypnotized preparou um ambiente que, para além de criar boas expectativas, traçou temas bem mais políticos do que as ouvintes da banda eram acostumadas a receber. Temas estes tangentes a assuntos ligados a, principalmente, o gênero, o patriarcado e as relações de poder.

Logo na música de abertura, o trabalho apresenta uma resposta complexa, acima de apenas raivosa, sobre a homologação de uma lei no Alabama que proíbe abortos indepentente de serem frutos de estupro e/ou incesto. Merrill diz que a música é um questionamento sobre a quem ela pode recorrer em momentos de inconformidade.

Ao longo de todas as onze faixas, Garbus comenta que todas as letras são de certa forma relatos de experiências que ela precisava colocar pra fora. E o acúmulo de clima pesado vem de forma tão forte que silence pt.2 (who is "we") consiste em uma ausência de música, tendo exatamente um minuto de silêncio, para que a ouvinte pare, pense, tome um fôlego e depois volte a apreciar qualquer coisa que venha ser dita em seguida.

A segunda parte do álbum vem falar bastante sobre existencialismo quando em hold yourself. diz-se: "pais já foram crianças [...] eles nos contam mentiras que contaram para si mesmos todo esse tempo". Merrill tece todas as suas percepções de mundo seguindo desta forma até o fim da obra, que é marcado pelas relações de humanidade e mundo.