Prestenção: Jadsa - Olho de Vidro

resenha por: Raul

Olho de Vidro
Jadsa
Ano: 2021
Selo: Balaclava Records
Auge: Mangostão, Lian, Olho de Vidro


“Eu vou pintar o mar no fundo do seu olho”. Com essa frase somos introduzidos ao primeiro disco de estúdio de Jadsa. O registro era aguardado desde as ótimas entregas dos primeiros ep’s, o Godê de 2015 e o TAXIDERMIA vol. 1 de 2020. Todo mar na vista dos olhos tem certo grau de infinitude, dessa maneira, parece sim que Jadsa pinta mares em olhos, criando uma obra que já é imensa pois transcende seus significados.

A construção de sentidos criadas em Olho de Vidro são verdadeiros exercícios criativos que tiram qualquer ouvinte de um possível lugar comum. As brincadeiras feitas com as sonoridades das palavras, um verso que sai do lugar intencionalmente, as inúmeras referências da música brasileira, que percorre Itamar Assumpção, Gal Costa, Tulipa Ruiz e Ava Rocha, e que não por acaso encontrará o nome de alguns desses percorrendo as letras. Ao atravessar esse universo de referências, Jadsa, que vinha trabalhando no disco desde 2015, entrega um caldeirão efervescente de ritmos e referências.

Percorrendo o rock, reggae, rap, jazz e o samba, flerta com sintetizadores e dialoga com o que há de mais interessante produzido na música brasileira com a colaboração de nomes como o de Ana Frango Elétrico, Jéssica Caitano, Josyara, Kiko Dinucci e Luiza Lian. A maneira como esses ritmos são costurados soa intuitiva e orgânica, como se estivéssemos no calor e a imprevisibilidade de um show, sendo explosivo e áspero, ritualístico e ameno, a obra é um convite para se pensar o caos e o amor.

Com Olho de Vidro Jadsa dá o nome num dos registros mais inventivos da cena nos últimos anos, através de um narrativa que conecta as faixas de uma forma tão natural, por meio de uma poética metafórica com forte presença das criações e forças da natureza. Tudo ali construído soa fresco e atemporal. E vivo. Muito vivo.