Prestenção: Pabllo Vittar - 111

resenha por: Roma

111
Pabllo Vittar
Ano: 2020
Selo: Sony
Auge: Rajadão, Salvaje, Ponte Perra


Em seu terceiro álbum de estúdio, Pabllo Vittar reinando sob o título de drag queen mais famosa do mundo ativa seu megazord poliglota e entrega um trabalho que não só ataca diversas línguas como também ataca diversos estilos.

Que a artista maranhense faz música para o público mainstream a gente não tem dúvida nenhuma e que o faz muito bem também é um outro fato, dado que os milhares de streams estão aí para comprovar. Desde seu álbum de estreia Vai Passar Mal(2017, BTM) é muito forte a evolução da artista no que se diz respeito a entendimento do funcionamento do mercado e mesmo sendo boicotada por muitos canais de divulgação o poder da gata de invadir até a casa do primo hétero e do tiozão do pavê é indiscutível.

Depois de sua última muito bem executada obra Não Para Não (Sony, 2018) que retoma os principais ritmos brasileiros que influenciaram toda a carreira da drag ganhando uma roupagem de eletro pop surpreendentemente interessante, o novo trabalho mantém esse nível de reciclagem de uma qualidade surpreendente, mas deixa bastante a desejar no quesito coesão.

111 tem um trabalho de arranjos impecável, as mixagens do projeto Bravo Music (Gorky, Maffalda) conseguem dar saltos impensáveis de deixar de boca aberta como o prog-tecno-brega-gospel do hino da carreira Rajadão, as composições atingem exatamente o mercado de hitmaker que Pabllo se mantém com muito louvor, mas as conexões entre as músicas como a gente enxergava no trabalho antecessor simplesmente não existem.

Outro ponto a se destacar é a corrida meio falha em se apresentar grande parte da obra antes de seu lançamento oficial, o que faz o fator surpresa cair a quase zero. Pensando no sentido de se manter no topo do mercado e na velocidade com que são produzidas e lançadas novas músicas hoje em dia a estratégia é entendível, mas ao também se analisar a fábrica de clipes, participações especiais – que são muito boas a propósito – e ainda a investida em músicas em português, inglês e espanhol fazem o último álbum de Vittar soar um desespero a conquistar um espaço que ela já domina.

Apesar de seus pontos negativos quando se fala na obra como um todo, beira a insanidade não enxergar o potencial de sucesso e a inteligência do ataque de mercado que 111 tem. Muitas das músicas já foram hits em seu lançamento, e muitas outras ainda o serão então prepare-se syag pra muitos rolês regados a mamãe Pabllo (obviamente que no pós quarentena #fiqueemcasa).

Mesmo sendo uma metralhadora o novo álbum de Pabllo Vittar fez a gente que tem silicone sentir o impacto do tiro.