Prestenção: Kdu dos Anjos - QUANTO TEMPO HEIN, KDU?!

resenha por: Roma

QUANTO TEMPO HEIN, KDU?!
Kdu dos Anjos
Ano: 2020
Selo: Malab
Auge: Capitães e Marujos, Thiaguinho


"Todo o universo foi criado em menos de um segundo/ mas alguns monumentos demoraram séculos para serem erguidos". Através dessas frases no projeto visual apresentado com o lançamento de seu novo trabalho, Kdu dos Anjos reúne grandes nomes e grandes sonoridades pra falar principalmente da relatividade do tempo nesse momento pandêmico.

A cena musical mineira vem ganhando bastante espaço de notoriedade nos últimos anos. Artistas como Djonga, Rosa Neon, Baka, Hot e Oreia e agora também o rapper Kdu dos Anjos, vem lançando grandes obras para música nacional e além dos assuntos muito bem retratados o que mais chama a atenção nesses artistas é também a pluralidade de sons.

Permeado por estilos como o jazz, o blues, o hip hop e muito também do funk brasileiro, o segundo trabalho de Kdu depois de cinco anos, foi produzido durante a quarentena pra falar da relação da humanidade com o tempo.

QUANTO TEMPO HEIN, KDU?! é um nome-sátira à produtividade que de primeiro momento pode ser interpretada diretamente ao fato do artista estar parado na ótica de produção do mercado fonográfico, mesmo ele estando em grande movimentação como diz ao jornal O Tempo, mas também soa como um questionamento do que é de fato a produtividade e do que é estar vivo dado o cenário de incertezas que vivemos e estamos vivendo .

E ao longo das faixas que constroem o projeto percebemos que a dualidade não vem só da brincadeira da significância do tempo para diferentes contextos mas também vem dos valores dos bens ao se fazer comparativos entre a vida na comunidade e a vida na cidade. Isso fica bastante presente na linguagem usada pras músicas que tem a proposta de um eclético sonoro que alcance todos os povos.

No tempo em que Kdu ficou parado ele esteve sempre presente no Favelinha, uma entidade que fomenta projetos de arte e cultura em um dos aglomerados de Belo Horizonte e talvez aqui entendamos alguma parte mesmo que pequena da mensagem que vem da relatividade que esse álbum traz.

Em frases como "se cada um tem um destino/ por que incentivam a rivalidade?" da música Zig Zag fica perceptível que essa ideia de relatividade está impregnada também às classes sociais quando se pensa que produtividade é algo advindo do sistema capitalista. Logo, o valor do que você produz é dado pelo sistema ao qual você está subordinado.

O interessante é que ao se ouvir falar de um álbum de rap com críticas diretas a um dado sistema a expectativa que se cria é de algo pesado, mas essa curva de estilos musicas da qual o álbum caminha sobre, faz com que toda essa discussão seja vista de forma leve e em alguns momentos até esperançosa, fazendo o anúncio de que a luta é difícil mas jamais será cessada.

Kdu volta depois de um "quanto tempo, hein", e se reúne com nomes como Djonga, Hot e Rafael Fantini pra escancarar a teoria da relatividade em tempo, valor e sonoridade.