Prestenção: Letrux - Letrux aos Prantos

resenha por: Raul

Letrux aos Prantos
Letrux
Ano: 2020
Selo: Independente
Auge: Cuidado, Paixão, Esse Filme Que Passou Foi Bom, Dorme Com Essa


Depois de três anos do lançamento de Letrux Em Noite de Climão (2017), Letícia Novaes volta com a banda para o mais novo recente disco de estúdio, Letrux Aos Prantos. Os próprios títulos do álbuns sugerem a banda em alguma ação ou emoção, parecendo personagens vivendo novas histórias. O aguardado registro depois de percorrer o climão das noites, os flertes e as ressacas, necessita ficar só e chorar.

Para ouvir as músicas de Letrux Aos Prantos exige uma certa intimidade com as composições e os arranjos, como quando se conhece alguém de uma personalidade muito forte, sabe? O disco abre nos versos iniciais da intensa Déjà-Vu Frenesi: “Ou a gente chora, ou a gente soa/Ou a gente goza/Só não pode magoar/Se organizar direito/Todo mundo chora”, trazendo frases que tá na boca da galera na internet e que são reformuladas para o universo do disco e funcionam em um mood irônico e tragicômico. Essa essência tão original da estética da cantora condiz com uma nova fase, em que abraça o preto e branco envoltados da cor ouro, mostrando a beleza das lágrimas e que, se o chorar ainda é livre, ele pode não ser só de tristeza.

Brincando com as sensações ao transitar por novas referências, como o deslizamento para o samba na excelente Cuidado, Paixão e no blues em Sente o Drama que conta com o poderoso chamado de Liniker, nota-se também uma forte presença do trabalho de Letícia como poeta e atriz. A forte carga profundamente poética nas composições e melodramática pelas interpretações remete à poesia de Patti Smith e a emoção de Maysa.

As canções evidenciam em como Letrux é uma ótima ouvinte e está atenta para as formas de relação e comunicação do tempo presente sem ser piegas. E parece por isso conquistar seu público fiel, ao criar laços diretos com as ouvintes ao expor o mais íntimo e controverso de nós pobres mortais. Em Esse Filme Que Passou Foi Bom expõe na nossa cara versos como: “Transando, mentindo, usando droga/ Esquecendo de ligar pra mãe/ Perdendo tempo, com bobagem no direct/ Esquecendo de ligar pra vó”. Impossível não se identificar de alguma maneira.

Para se recolher e depois levantar e lavar o rosto, Letrux entrega um disco que toca em questões consoantes ao nosso tempo. Cada verso escrito e interpretado mostram a força da fragilidade pelo exercício de tentar enxergar a verdade do corpo e da alma.