Prestenção: Tennis - Swimmer

resenha por: Roma

Swimmer
Tennis
Ano: 2020
Selo: Mutually Detrimental
Auge: Echoes, Matrimony II


Trazendo aquele pop retrozinho que faz você viajar pra outra década – mentira que na maioria das vezes nem nascer nela você nasceu – o duo estadunidense Tennis chega ao seu quinto álbum de estúdio com produção, composição e selo próprios, apresentando uma estética concisa e persistente aos trabalhos anteriores da dupla formada por Alaina e Patrick.

Segundo a carta oficial divulgada no lançamento, o álbum fala de momentos tristes mas não se limita a ser um álbum triste. Swimmer vem da ideia de flutuação de um nadador, e foi a forma como os dois encontraram de atribuir uma imagem ao que chamam do momento mais sombrio de suas vidas enquanto casal. Ao longo das composições o álbum dá a entender que ambos estavam em um processo de separação, mas que encontraram uma forma de reinventar suas relações e viver um novo momento. Vale pontuar a título de curiosidade (e de fofocas também que a gente não tá morta) que eles completaram dez anos juntos recentemente e isso claramente é parte nevrálgica do álbum.

Toda a produção foi feita num ambiente bem intimista e em um estúdio doméstico, e isso fica bem evidente nas nove músicas que entregam de forma bem poética o processo de altos e baixos de um relacionamento duradouro. O decorrer da obra parece contar uma história tortuosa desde a música de abertura até a de encerramento, contando sobre um relacionamento que está quase chegando ao fim, mas que em últimos suspiros é possível encontrar no meio dos escombros algum resquício de carinho e reciprocidade dos dois.

É através de versos como "Gatos pretos na vizinhança/ não são necessariamente sinal de algo" na perfeita & derradeira Matrimony II que Alaina e Patrick explicam que seu último trabalho é um entendimento de que relacionamentos longos podem virar relações enraizadas e isso claramente pode ser muito bom ou muito ruim. Mas analisando as faixas fica bem enfatizado que o tempo é a maior arma usada para que as coisas consigam persistir.

Falar sobre uma relação de dez anos pode te fazer entender que marcos temporais te induzem a reciclar um amor de tal forma que ele pode inclusive ser totalmente diferente do que se tinha antes.