Prestenção: Os Amanticidas - Teto

resenha por: Raul

Teto
Os Amanticidas
Ano: 2020
Selo: Independente
Auge: Paisagem Apagada, Parado Deitado Travado, Janela Fechada


Os Amanticidas é um grupo musical independente formado em 2012. Para as mais atentas de plantão o nome da banda é uma referência direta a música de Itamar Assumpção. Em seu segundo disco, o título e a bela ilustração da capa convidam as ouvintes para um espaço bastante íntimo. Todas as paranóias, dores e anseios que o espaço do quarto pode reservar para qualquer indivíduo estão presentes durante as faixas em suas diferentes formas de sentir

.

Os sentimentos são encartados por uma variedade de instrumentos numa harmonia que segue em momentos mais intimistas ou em outros mais explosivos. Na faixa Janela Fechada têm-se um divertido xote, sendo uma das passagens mais interessantes do registro, e a letra diz: “Não sei bem de onde 'cê veio não sei como me apareceu/ Só sei que o jeito do seu corpo combina com jeito do meu”, dialogando com a música nordestina.

A sintonia entre os arranjos e as letras, ora mais solares, ora mais nublados, mantém o diálogo com nomes de referência para grupo como o próprio Itamar Assumpção e Tom Zé. Versos como “Foi minha distração sou eu que sou culpada/ Agora condenada assistir /O desmonte do meu mundo” em Paisagem Apagada, faixa que conta com a participação de Juçara Marçal, em que se reflete sobre a sensação de impotência diante do “desmonte do meu mundo”, um mundo que soa particular e universal. A intensidade se ameniza quando transita num jogo com as sonoridades e as palavras; como em Tapa na Caça e a sussurrante Atropelado, momentos que mostram essa multiplicidade da banda.

O disco convida para olhar para o teto; para o céu; e sentir as dúvidas comuns, pensar nos amores e dores e para que caminho a história se irá, encartados por momentos íntimos e por outros que também te convidam para sentir, mas também dançar a certa alegria do viver.