Prestenção: Poppy - I Disagree

resenha por: Roma

I Disagree
Poppy
Ano: 2020
Selo: Sumerian
Auge: BLOODMONEY, Concrete


Poppy – nome artístico de Moriah Rose Pereira – é uma daquelas pessoas que vieram da renca musical do YouTube, com a diferença de que a gata ficou famosa porque tinha uns vídeos macabros illuminati sobre uma figura “popp” mas que negava o pop em si. Em meio a materiais polêmicos de projetos robóticos e teorias da conspiração, no ano de 2016 ela se lançou na carreira musical e agora em 2020 entrega o terceiro álbum de estúdio que vem mergulhado numa estética Nu-Metal meets Bubblegum Pop.

Em I Disagree a cantora norte americana usa das dez faixas pra falar de coisas que são bem clichês quando a gente pensa no rumo das composições metaleiras com essa coisa dark uau trevas revolts, mas o interessante é que metaforicamente ela usa do conceito de discordância (discordar, "I disagree", entendeu?) pra criticar coisas como a normatividade do sistema, os arquétipos e estereótipos super higienizados e por aí vai. Versos como "Algumas pessoas gostam de sorvete/ Algumas pessoas gostam de café/ Mas esses sabores sem vida não me satisfazem/ … / Eu preciso do gosto de sangue jovem na minha boca" ao mesmo tempo que brincam com a estética fofa-macabra da artista, cutucam reflexões sobre a inércia do mundo e sobre como a quebra do status quo sempre foi e sempre será algo que incomoda.

Depois de ficar três anos atirando pra tudo quanto é lado meio que sem rumo e só transparecendo ser mais uma daquelas artistas que só causa #polemikah dá pra dizer que ela finalmente consolidou sua estética tanto visual quanto musicalmente numa coisa que já tão chamando de Metal Pop e que dá pra perigar dizer que a gata é pioneira. A Poppy é uma personagem criada com essa construção de ser uma imagem que tem muitos dos signos de uma figura do pop, mas cujos comportamentos, falas e músicas convergem para um caminho de total negação a esse movimento de fadas sensatas rosinhas e fofinhas.

A jovenzinha creepy que antes só parecia um robô funcionando sob a execução de algum algoritmo genericamente mal feito agora tem uma estética definida, inteligente, questionadora, e te apresenta uma obra que te incomoda e te põe pra pensar.