Prestenção: BIANA - Imilla

resenha por: Raul

Imilla
BIANA
Ano: 2020
Selo: Independente
Auge: Cantoria, Imilla


Ao ouvir Imilla, o primeiro EP de BIANA, uma coisa é clara: as marcas e pegadas no chão que esse registro deixa. Isso vai em direção com o talento da compositora paulista que apresenta sua primeira obra como uma entrada no cenário musical com características e sonoridades muito bem fincadas. E ainda que a vida possa ser imprevisível e surpreendente a toda hora - como canta nas canções - seu som é firme nas diversas referências que apontam.

O EP que tem a produção de Leonardo Ost do selo Rap Box, é composto por quatro faixas, sendo Cantoria a primeira música, em que começa com versos que dizem:“Não sei se amei/ Não sei se olhei/ Foi assim que vivi/ E quando olhei reconheci/ Eu já não sei o que é mesmo se encontrar/ Mas hoje eu digo sim/ É aqui que vou ficar”. Esse caminho da dúvida, que é o começo da busca pelo autoconhecimento é o ponto que percorre a narrativa do álbum. E não à toa que Cantoria é a faixa que abre o trabalho, pois será justamente do substrato da arte que a artista encontrará forças pra existir e se expressar.

Essa tônica da busca, que é o gozo da independência, fica evidente pela vibe bastante urbana da produção do trabalho. E se falamos que o disco possui uma firmeza em suas referências, não quer dizer que se prende a isso, pelo contrário. Se os versos cantam a liberdade de se expressar e em ser vulnerável, ela também se encontra nas estruturas e arranjos musicais, que vão desde o synthpop, eletropop até ao funk e samba-reggae.

Todas as referências, ora mais latinas, ora numa pegada eurodance, vão na mesma direção de uma composição de arranjos que criam cenas flutuantes e cintilantes. A última faixa, que dá nome ao disco, é um exemplo do ápice dessa liberdade cantada e que possui versos poderosos: “Eu sei bem de onde vim e sei por onde vou/ A minha história marcada eu vi desmoronar/ Não, nem darei tempo de proferir seu clamor/ Não, nem gaste sua saliva para explicar”. É sobre aqueles que sabem muito bem os caminhos que percorreram para chegar até aqui.

Combinadas a refrões que colam no ouvido, a voz grave da vocal somada as batidas atmosféricas que constroem um pop futurístico, faz de Imilla um som que convida a ouvinte para ser ouvido no fim de uma noite para consagrar um dia, mas também serve pra botar pra tocar naquela manhã perto do meio-dia pro restante dele ser melhor.

BIANA em sua estreia mostra sua essência versátil e a liberdade presente em letra e em sonoridade criando uma obra pop que se conecta com as ouvintes, fazendo pensar a força que nos compõe.