Prestenção: Mahmundi - Mundo Novo

resenha por: Raul

Mundo Novo
Mahmundi
Ano: 2020
Selo: Universal Music
Auge: Sem Medo, Vai


Letras sinceras e românticas, arranjos solares, a presença marcante do uso de sintetizadores, são características conhecidas na discografia de Mahmundi. Ao longo de sua carreira a artista entregou canções que são verdadeiros recortes de momentos que já passamos. Sejam eles felizes ou tristes. Não à toa, Marcela Vale já revelou que gosta da ideia em ser a trilha sonora das pessoas. E de fato, essa combinação de um pop leve e dançante, que se constrói principalmente de sua experiência no ramo da música eletrônica, faz a cantora ser um dos nomes mais interessantes da música brasileira recente.

Se seus trabalhos anteriores apontavam muito mais para uma relação daquela que canta a partir de uma experiência transpassada pelo outro, como faz parecer em Para Dias Ruins (2018) em Mundo Novo (2020) tem-se uma nova perspectiva. Mahmundi continua enfrentando o universo das pessoas e das relações, mas agora sobretudo se confronta diretamente consigo no mundo, no significado mais amplo que a palavra “mundo” pode carregar.

Tudo o que mora no que é e no que não é, são questões levantadas logo de início na faixa introdutória, a partir de um áudio informal duma conversa com Paulo Nazareth, dão pistas certeiras dos rumos que o disco irá construir: “E quando a gente se lança nesse desafio/ de trocar mais de perto, de se expor/ de encarar a nossa vulnerabilidade/ pra ser de verdade/ é aí que se abre um mundo novo/ onde quem só te imaginava à distância/ agora pode te olhar mais de perto/ E é assim que a gente conhece a gente mesmo”.

Entendendo a relação com o outro, o que faz da gente seres múltiplos e que será a partir desse contato que revelará as inúmeras faces da vida e a nossa própria, isso transparece durante as sete faixas e curioso pensar que esse movimento vai na mesma direção na composição do disco, sendo Mundo Novo o registro mais coletivo de Mahmundi. As composições conta com as participações de Castello Branco, Frederico Heliodoro e Paulo Nazareth até uma nova versão de uma música de Dadi e Jorge Mautner.

Em seus poucos mais de vinte minutos, o terceiro álbum de estúdio da cantora é uma experiência contemplativa e apresenta um frescor, emanando uma energia ao falar de autoconhecimento. Impossível não mencionar a faixa Sem Medo, que reúne uma vibe meio reggae, meio pop, que parece feita pra tocar nas rádios e que canta em seu refrão um verdadeiro mantra: ”E absorver a lei que diz que tudo pode ser/ Tudo é pra aprender/ Tudo é pra evoluir.”

Essa vitalidade surge pela busca de uma sonoridade mais orgânica, e também pela primeira vez o trabalho com banda. Nesse sentido, nota-se uma ruptura no som produzido até então. Ao mesmo tempo que não se trata propriamente de uma ruptura se entendermos seus três discos entregues como um mesmo caminho, que se revela agora. A última faixa do disco Vai encerra dizendo> ”Então vai, vai correndo, vai/ Abre um sorriso e vai”, sendo o momento presente, a disposição em somente ir na procura e construção dessa tal “busca”.

Mahmundi agora aponta para novas direções na busca por uma sonoridade orgânica que é também a face daqueles que aprenderam a olhar a vida de uma outra forma.