Prestenção: Hayley Williams - Petals For Armor

resenha por: Roma

Petals For Armor
Hayley Williams
Ano: 2020
Selo: Atlantic
Auge: Roses/Lotus/Violet/Iris, Dead Horse, Watch Me While I Bloom


Pode confessar, a gente está num momento onde se assumir emo é cool, e a sua adolescente interior de 2009 ama quando o Paramore faz qualquer movimentação que seja. E não foi diferente quando através da criação de uma conta no Instagram e de uma pré divulgação super conceitual, Hayley Williams anunciou seu primeiro trabalho em carreira solo, o Petals For Armor.

Contando com composições da vocalista e com uma produção que incluía quase todos os integrantes de um dos maiores nomes do emocore, Hayley anunciou que seu novo trabalho deveria seguir paralelamente ao Paramore, por se tratar de algo mais íntimo e pessoal que não caberia encaixar na atmosfera da banda.

De fato quando o ouvinte se depara com as quinze músicas que solidificam Petals For Armor é de se entender a necessidade de um espaço solo. A cantora e compositora que junto de Taylor York e Zac Farro já havia deixado um certo ambiente melancólico no ar com o aclamado After Laughter (Paramore, Fueled by Ramen, 2017) conseguiu agora abrir um espaço para falar de suas profundas intimidades, em meio a uma sonoridade que utiliza do experimentalismo do art pop, do art rock e até de elementos do new wave só que não necessariamente calcados em arranjos felizes como no seu trabalho antecessor.

Através da divulgação de 3 EPs com cinco músicas cada, Hayley constrói uma evolução numa história que fala muito sobre problemas, momentos de profunda incerteza e até sobre depressão que a artista deixa de forma explícita ter enfrentado e de certa forma, superado.

Logo em sua primeira parte, Petals For Armor I traz uma persona que rasteja sem rumo e sem esperança em meio a um mar de inseguranças. Na pioneira Simmer em meio a versos como "se eu tivesse visto meu reflexo/ como algo mais precioso/ ele nunca teria.../ e se a minha criança/ precisasse de proteção de um filho da puta como aquele homem/ eu o estriparia mais cedo/ pois nada corta como uma mãe." são retratados os momentos em que a artista fala sobre nunca ter se visto como a heroína que os fãs a pintavam.

A obra prossegue com essa personagem se desvencilhando de emaranhados de culpa, medo e incerteza, mas entendendo levemente que com força é possível sair daquilo, e é começando Petals For Armor II com Dead Horse que Williams deixa explícito que muitos desses problemas vieram do relacionamento com Chad Gilbert (Fall Out Boy) que segundo ela começou com uma traição: "eu tive o que mereci/ eu fui a outra mulher primeiro". Mas nessa mesma música e na abertura dessa segunda parte o álbum toma um rumo de mostrar que houve um processo pós depressivo de entendimento das coisas e de encontros de força que a ajudaram a superar tudo.

Hayley deixa nas entrelinhas que essa fase representa seu início de terapia e além disso em músicas como My Friend que fala sobre a força que ela encontrou em sua melhor amizade e na excelente Roses/Lotus/Violet/Iris que junto dos vocais do supergrupo boygenius (Julien Baker, Phoebe Bridgers, Lucy Dacus) a cantora mostra através de uma alusão a flores a importância do feminismo em sua vida. Daqui inclusive se nota a justificativa do nome do álbum. Numa tradução livre, "pétalas enquanto armadura" usa de um símbolo delicado e ligado ao feminino na ótica patriarcal para mostrar a força.

Entrando então no último terço do álbum, Petals For Armor III fala sobre liberdade e sobre se lançar a novas experiências como uma pessoa que agora entende mais de si e de suas limitações e que não tem mais medo de errar. No suprassumo do experimentalismo, Watch me While I Bloom prepara as pessoas para uma nova fase da artista: "você quer ver meu interior?/ então me veja florescer/ você só tinha um lado meu/ aqui está algo novo/ estou viva apesar de mim/ e estou em movimento/ então olhe meu interior/ me assista enquanto floresço".

É através da metáfora das flores que a cantora mostra seus medos e como ela encontrou forças para sair de uma depressão. E essa simbologia de expor suas vulnerabilidades como forma de combustível a superação se faz presente não só nas músicas mas também na capa do álbum, onde expõe as três tatuagens que cobrem as iniciais do ex-marido num complemento da metade de um coração entornando seu rosto.

Em sua primeira obra solo a artista cresce e floresce, dando um ponto final em uma história que a consumiu por longos momentos e que agora apenas serve de alicerce para uma nova primavera.