Prestenção: Laura Marling - Song For Our Daughter

resenha por: Raul

Song For Our Daughter
Laura Marling
Ano: 2020
Selo: Chrysalis
Auge: Held Down, Only The Strong, Alexandra


Já passou por algum momento em que se viu sem nenhum plano para o futuro e que tudo parece mais do mesmo? Laura Marling pode compartilhar bem de tal angústia. Seu mais novo disco Song For Our Daugher é o resultado desse processo de reinvenção e saída de lugares comuns que quase toda a gente já passou em algum momento. Após seis álbuns gravados, se afastou em 2017 de sua gravadora e de seus principais agentes e se viu diante de nenhuma linha traçada para o futuro. Nesse momento passou a rever sua carreira, até ingressar num mestrado em psicanálise e todo esse processo pode ser notado atentamente em suas canções.

Laura Marling se tornou conhecida em 2008, quando lançou aos dezoito anos seu primeiro disco e desde então tem sido um dos nomes mais visíveis da cena folk e indie inglesa. E sua ascensão não se deu somente em termos de popularidade, seu crescimento é perceptível também como instrumentista e compositora. Seu mais novo trabalho é o auge de sua maturidade.

Song For Our Daugher, como o próprio título sugere, são canções destinadas a uma futura e possível filha. É a partir desse enredo que a artista nos entrega uma obra tão sincera. São composições que retratam os medos e traumas em ser mulher dada às situações comuns de imposições, violência e desamor. Assim como um conselho, um abraço, as canções tentam juntar os caquinhos da melhor maneira possível quando o machismo e o patriarcado parecer pesado demais para enfrentar; o famoso “tô dizendo o que gostaria que tivessem me dito”.

Preservado pela estética voz e violão do folk raiz, em alguns momentos surge fortemente um piano, um violoncelo, vocais ao fundo, que repaginam a sonoridade criada pela artista até então. Mas digamos que a alma da obra mora nas letras, são versos como em Only Strong que confessa: “O amor é uma doença curada pelo tempo/ Todos os hematomas acabam benignos” ou em passagens como a de Blow By Blow que nos ensina que: “As vezes, a coisa mais difícil de aprender/ é o que você ganha com o que perde”.

Cantando sobre as decepções, perdas e rompimentos a partir de uma carga melancólica mas não necessariamente triste, Laura Marling ainda dentro do indie-folk se expande na busca por outras sonoridades. Percorrendo o lugar da própria experiência para se chegar em ensinamentos que só mesmo o tempo pode lhe trazer.