Prestenção: Ultraísta - Sister

resenha por: Raul

Sister
Ultraísta
Ano: 2020
Selo: Partisan Records
Auge: Tin King, Save It’til Later, Bumblebees


Ultraísta é um grupo experimental do Reino Unido formado por Laura Bettinson nos vocais, conhecida também pela carreira solo como FEMME, e com Nigel Godrich e Joey Waronker que faziam parte de uma outra banda mais ou menos conhecida por aqui, o Atoms for Peace, além de trabalhos com o Radiohead e R.E.M Uma galera que trabalha bastante. Em 2012 lançaram o homônimo disco e durante todo esse hiato do grupo, em 2020 vem ao mundo o lançamento de Sister.

Uma curiosidade é que o nome do grupo é uma referência direta ao significado do movimento vanguardista espanhol que criticava o modernismo que tomou conta das letras nas primeiras décadas do século XX e tinha o futurismo como uma de suas principais características. Ouvindo o som do grupo, notamos bastante essa proposta do movimento. Não que se prendam a isso, pelo contrário, mas é perceptível a busca por diferentes sonoridades mesmo prevalecendo o uso de sintetizadores que é a marca de suas músicas. A força das três mentes, enxergam no Ultraísta um projeto e oportunidade de fazer algo diferente do que normalmente o trio fariam em suas carreiras.

E logo de cara, somos apresentadas a faixa Tin King, uma canção frenética, que parece nos lançar para um pista de dança cheio de pessoas deliciosamente libertárias, com arranjos bastante metálicos, o abuso de percussões e a voz de Bettinson que cantam versos que parecem correr contra o tempo.

Toda essa velocidade parece ter seu auge ali no começo, pois depois ainda que metralhados pelos inúmeros experimentos eletrônicos, tem-se uma sonoridade mais introspectiva, ainda que elétrica. Essa junção aparece em Anybody com a inserção de um fundo clássico de violino. A letra é bastante crítica a adoração de imagens e pessoas: “Se você quer ir, por favor não fique/ Se você quer se curvar bem, querida, não vou atrapalhar/ Porque eu já fiz isso antes”.

Diante de críticas a sociedade atual e aprofundamento em letras melancólicas o disco termina colocando a seguinte questão na faixa The Moon and Mercury: “Eu não sei o que significa me encontrar sozinha.”

As dúvidas lançadas para um caminho íntimo e solitário se complementa de maneiras opostas com as batidas eletrônicas que buscam a experimentação através da adição de sons naturais como o de ondas presentes em The Moon and Mercury ou de insetos na faixa Bumblebees, sendo esse um dos momentos mais criativos do disco. As baterias sempre presentes traz uma energia para o registro e os vocais centralizados deixam com um aspecto pop-tristinho em alguns refrões, tornando acessível ao mesmo tempo que usufrui do conceitual.

Para sentir que está numa sala com muitas pessoas ao mesmo tempo em que se dança sozinha, Sister reúne as habilidades do trio em testar inúmeras sonoridades, ainda que no solo firme da música eletrônica flertando com o pop.