Prestenção: Josyara, Giovani Cidreira - Estreite

resenha por: Roma

Estreite
Josyara, Giovani Cidreira
Ano: 2020
Selo: Joia Moderna
Auge: Palma, Meninas Irmãs (Pt. 2), Virá


Não é de hoje que os artistas do movimento musical chamado por muitos de Nova Bahia vem sendo cada vez mais assistidos na indústria fonográfica por trazerem uma sonoridade forte e com letras sempre muito poéticas misturando elementos da mais pura cultura baiana com as novidades da música moderna.

E não muito tempo depois dos sucessos de Japanese Food (Balaclava, 2017), Mansa Fúria (Independente, 2018) e Mix$take (RISCO, 2019) Josyara e Giovani Cidreira se uniram com o produtor Junix 11 para o lançamento de Estreite, obra que traz uma interessantíssima união da densidade lírica e do experimentalismo consciente de cada um dos artistas envolvidos ao longo de suas oito músicas.

O terceiro álbum lançado pelo projeto Joia ao Vivo com patrocínio da Oi, combina de forma muito suave e ao mesmo tempo muito intensa as características de cada um. Josyara com sua linha consoante a música baiana tradicional trazendo suas vertentes que caminham no samba e na religiosidade do Candomblé e Giovani com sua roupagem moderna dos sons que reafirmam a forte presença do tecnobrega e do eletrônico nos arranjos baianos, fazem os trabalho de Junix criar um laço numa dualidade que é semelhante e ao mesmo tempo diferente.

É muito interessante observar como as vozes dançam no desenrolar do álbum, evidenciando cada um dos artistas horas em seus próprios estilos e horas em estilos cruzados, mas sempre muito bem postos e com uma combinação de timbres agradabilíssima aos ouvidos.

Foi através da forte amizade entre os dois e através de trocas de composições feitas um para o outro que o álbum foi sendo construído. Muitas das letras perpassam histórias de Josyara e Cidreira e muitas outras falam sobre o amadurecimento de cada um resgatando memórias afetivas e também fortalecendo os futuros caminhos.

Estreite se apresenta como um álbum dual: forte e calmo, intenso e suave. Pode ser visto como um álbum que fala de relações sejam elas românticas, de amizades e até mesmo auto relações.

Na abertura da obra, por exemplo, em tom uníssono os artistas já dizem que o trabalho traz muito do questionamento de ambos sobre si mesmos e também da força que um tem e traz a vida do outro: "Leva/ o que trago no peito/.../Não pedi nada a ninguém/ só às vezes um abrigo/ um ombro amigo/ que isso tudo é pra viver/ quem sou, quem vem?". E é de Palma a Farol que as histórias são sempre sobre devaneios do ser em autoconhecimento e da sua projeção no mundo no que tange as relações humanas.

Em meio a amizade de dois baianos que vivem o caos da capital paulistana e em meio ao distanciamento de relações surge um estudo sobre a força da proximidade, acima de tudo do estreitamento.