Prestenção: Grimes - Miss Anthropocene

resenha por: Raul

Miss Anthropocene
Grimes
Ano: 2020
Selo: 4AD
Auge: IDORU, My Name is Dark, Violence


O aguardado quinto álbum de estúdio de Grimes, Miss Anthropocene foi um mimo que chegou para as fãs que esperavam o fim do hiato da cantora desde Art Angels lançado em 2015. Claire Boucher já havia adiantado bastante coisa do que viria, boa parte das músicas foram lançadas ao longo de 2019 e vão de encontro à outros discos da artista que usa e abusa dos sintetizadores.

Seu mais novo trabalho - como não era de se surpreender - é carregado de conceitos bastante particulares. O título do álbum se refere a uma deusa antropomórfica que odeia humanos (quem não?) e que aguarda o fim do mundo. Assim cada faixa remete a temas como a da destruição da espécie humana, a condição climática mundial, a robotização do cotidiano e que são representados nas canções com forte uma carga melancólica, presente em versos como o da faixa Delete Forever: “sempre em queda, eu não estou em cima/ Acho que é apenas a minha má sorte/ Para preencher o meu tempo com tristeza permanente.”

De fato, cada faixa parecemos estar diante de um cosmo diferente, isso se mostra pela mescla de parcerias com nomes como o do DJ i_o na bem sucedida Violence, com a rapper taiwenesa 潘PAN em Darkseid, ou pelo nítido flerte com referências da cultura oriental, pela experimentação com novas sonoridades que se percebe em momentos que usa de samples de Bollywood para composições. Essa variedade de parcerias e arranjos, deixa nítido a busca de Grimes por diferentes e diversas referências na composição do disco, que nem sempre de primeira audição será possível notar.

Ainda que percorra por vários lugares, alguns momentos como em My Name is Dark volta-se às origens dos primeiros sons feitos pela cantora, aqui por um uso bem aproveitado da voz e dos sintetizadores, mas revestido por uma pegada mais industrial, com menos furores pop e dançantes. No entanto a obra como um todo soa inconsistente em sua organização, sem a inspiração que se encontra em registros anteriores e parece não se sustentar dentro de seu próprio conceito. O uso de uma mixagem e de construções de versos bastante repetitivas, não diminui o trabalho mas perde o fôlego em sua segunda parte.

Miss Anthropocene faz lembrar um jogo de video-game pela narrativa criada e não somente por isso merece os créditos. Grimes também assina a produção do disco e isso mostra a engenhosidade dessa artista multifacetada.