Prestenção: Índio da Cuíca - Malandro 5 Estrelas

resenha por: Raul

Malandro 5 Estrelas
Índio da Cuíca
Ano: 2021
Selo: QTV
Auge: Shirley, Jogo de Malandro


Aos 70 anos, o carioca Índio da Cuíca lança seu primeiro disco solo, um dos maiores sonhos do artista que tem mais de 50 anos de carreira na cena cultural ao lado de sua fiel companheira, a cuíca.

Com Malandro 5 Estrelas, Índio não apenas entrega um disco, como se entrega em todo o registro, mostrando as inúmeras habilidades agora não apenas como instrumentista, mas como letrista e como dançarino. Sim, como um verdadeiro sambista, ainda que não possamos ver isso ao vivo e a cores, a obra transcende o sonoro e parece nos colocar de frente com a vida, de algo muito vital que vem acompanhada no ritmo da cuíca.

Ainda que o instrumento seja protagonista do trabalho, é incrível a capacidade do artista em dialogar com uma diversidade de instrumentos e ritmos, indo da capoeira ao funk. Na faixa introdutória A Cuíca Chora, o artista canta: ”A cuíca chora, sambando miúdo lá vou eu.”, acompanhado de um contagiante cavaquinho e de uma percussão muito presente, nos coloca diante de uma roda, que é nada mais que o palco desse artista.

É nesse palco que ele nos entrega também o amor. Em Shirley canção que escreveu para sua companheira, têm-se um dos momentos mais genuínos: ”Aí eu percebi/ Só é feliz/ Quem tem amor/ Shirley você é o amor/ O presente que Deus me deu.” O sentimentalismo presente abre portas para canções mais contidas e detalhistas na segunda parte do trabalho, como em Medley de Ogum de forte presença ritualística, mostrando a diversidade de temas abordados no material.

Como uma declaração de amor a cuíca e a música, Malandro 5 Estrelas nasce clássico - não apenas pela estreia solo deste grande nome e isso já seria o suficiente - por apresentar uma fruição tão potente nos ritmos que percorre e pela atemporalidade que emana, notada nos grandes discos da música brasileira.