Prestenção: Cícero - Cosmo

resenha por: Raul

Cosmo
Cícero
Ano: 2020
Selo: Independente
Auge: Banzo, Falso Azul, Marinheiro Astronauta


Assim meio que de repente para quem tá aqui fora, Cícero lançou ao mundo seu quinto disco de estúdio chamado Cosmo. Era aguardado um novo material do cantor e compositor que conquistou uma legião de fãs no começo dos anos 2010 com o aclamadissímo Canções de Apartamento (2011), que embalou muitas bads dos adolescentes millennials.

Interessante pensar que Cosmo vai de encontro a uma estética que é preservada pelo músico. Do apartamento no primeiro álbum, ao clima do sábado no segundo disco, um passeio pela praia e depois um encontro com a cidade, agora Cícero olha para a imensidão do universo. As letras e os arranjos situam numa reflexão sobre as possibilidades e também para a realidade, carregadas de uma melancolia que é marca de sua obra.

Soa como se tirasse os pés do chão em instantes mais divertidos e dançantes como em Some Lazy Days, canção que o refrão gruda na cabeça, mas também sempre colocando eles de volta em momentos como de um certa introspecção filosófica vista em Banzo: “Outro dia no centro/ Um senhor me estendeu a mão/ Ele não existia/ Mesmo assim me dizia/ Já teve a visão de ser avião no marasmo?”. Você engole a saliva e segue o baile.

Gravado entre o Brasil e Portugal, Cosmo parece ampliar a discografia de Cícero. Um disco enxuto, com canções curtas e minimalistas em suas letras e arranjos, tem-se a leve impressão de que algumas canções tem uma finalização muito precoce e que poderiam se arriscar mais. Mas o foco dessa redução parece no desejo em tocar a ouvinte em algum ponto.

Para se estender um tapetinho no chão ou no gramado e brisar sobre a vida que acontece lá fora e aqui dentro; Cícero abraça novamente.