Prestenção: Kesha - High Road

resenha por: Roma

High Road
Kesha
Ano: 2020
Selo: RCA, Kemosab
Auge: Birthday Suit, My Own Dance


Kesha agora sem o cifrão – mas não que ela esteja pobre – chegou ao quarto álbum de estúdio da carreira e o segundo desde toda a treta com o escroto do Dr. Luke, que a colocou em processos muito profundos e pesados e que resultaram na obra antecessora Rainbow. Depois do "segundo debut" que trouxe uma Kesha totalmente intimista, forte e renascida das cinzas, em High Road ela faz seu retorno ao pop com letras mais descontraídas, dançantes e numa vibe having-fun.

Num álbum de quinze faixas que traz um feat até com ela mesma no passado – a Ke$ha do cifrão – o curso das coisas vem de uma forma bem coerente com uma dançada entre o Pop chiclete e o Country que tem sido marcante nos últimos trabalhos da cantora. A sonoridade não é chata de ouvir, mas em alguns pontos soa clichê demais. O álbum segura bem o conceitinho de que ela voltou pra sua antiga estética porém mais forte, madura e renovada e que não vai deitar pra macho nenhum e nem fazer a vontade de ninguém a não ser a dela. Em contrapartida, abrir um novo trabalho com o verso "Essa é a melhor noite da minha vida, consegue sentir?" é quase que um "senta guei que o que você está prestes a ouvir é aquela receitinha de hit que a gente taca uma pedra na rua e acerta 37 artistas na mesma vibe".

O que faz a Kesha se destacar e não cair na mesmice talvez seja o leve (bem leve mesmo) experimentalismo que ela joga num cantinho aqui e outro ali e combinados com o timbre de voz metálica agora sem tanto autotune fazem manter uma estética persistente que torna desonesto chamar o trabalho de ruim. Fazendo um comparativo com o poderoso sucessor Rainbow a gente tem sim um leve declínio de qualidade em questões técnicas, mas pensando no álbum como um produto do mercado pop ele marca a checklist de hits e cumpre o requisito pra ser falado sem forçar nenhuma cota.

A nova brisa da fênix do pop pensa com carinho na rolezeira: rende os hits de balada que prometeu fazer você perder a voz mas também te dá os momentos de renovar sua dose de catuaba.