#PCDMV: Mitski - Puberty 2

resenha por: Roma

Puberty 2
Mitski
Ano: 2016
Selo: Dead Oceans
Auge: Your Best American Girl, Happy e Crack Baby


A Mitski é uma das grandes aclamadas aqui desse site e seria heresia deixá-la de fora dessa seção tão especial. A questão maior aqui foi qual dos álbuns escolher quando uma artista tem uma discografia completamente perfeita? O mais bem avaliado pela crítica? O mais importante? O mais comentado?

De antemão é necessário falar que não foi possível chegar em nenhuma resposta para as perguntas acima. Sendo assim, não se surpreenda se todas as obras da cantora nipo-norte-americana (versátil até nos prefixos af) derem as caras no #pcdmv algum dia desses.

Parando um pouco com a aclamação e falando sobre o álbum – o que é importante já que o intuito é esse – em 2016 Mitski lança seu trabalho intitulado Puberty 2. Como o próprio nome já diz, ao longo das onze músicas Mitski constrói uma personagem adolescente com seus hormônios e emoções afloradas e que se afunda na bad dos romances e frustrações num nível tão profundo que é quase possível atingir camadas de pré-sal.

E ao contrário do que se espera geralmente de álbuns mais poéticos, esse sentimento não fica implícito não, muito pelo contrário. Logo na pioneira Happy o murro na boca do estômago já se faz presente.

Através das letras "Quando for leve este coração/ eu não farei mais uso dele/ quando não tiver mais você" ou em ainda da composição de Your Best American Girl, "Se eu pudesse eu seria uma pequena colher e/ lamberia seus dedos para sempre e mais um pouco" que se percebe que a adolescente de Mitski talvez não seja a emo-revoltz, mas com certeza é a emo-fossa, num álbum que retoma muitos traumas e complexos de uma persona que se coloca como objeto usável e descartável e também muita das vezes como alguém indigno de amor.

E foi falando de momentos tensos de uma fase que muitos adolescentes já passaram ou ainda passarão que a cantora e compositora começou a receber cada vez mais atenção do público em geral, colocando-a nos holofotes da indústria fonográfica.

Segundo alguns agregadores de críticas, no seu ano de lançamento o álbum foi citado como um dos cinco melhores do ano em treze das principais listas de grandes sites de músicas, e no fim do ano passado ainda apareceu como um dos melhores da década em outras oito.

Esses momentos de números foram só uma tentativa deveras redundante de endossar a importância desse trabalho na cena indie rock do começo da segunda metade da década passada. Embora seja um movimento até que comum falar de frustrações do passado o interessante deste álbum – e talvez a justificativa da existência do 2 sem uma precedência do 1 – é que a persona criada por quem escreve está revisitando as memórias da puberdade com a mente e a maturidade de uma pessoa adulta.

Falar sobre sentimentos sempre foi muito importante, mas mais ainda falar sobre eles sob um processo de entendimento do seu eu atual é mais do que imprescindível. É quase uma psicanálise em forma de álbum com a ressalva de que nem sempre se faz necessário trabalhar seus traumas. Às vezes é só legal saber de onde eles vem.

Puberty 2 é uma ode a alegria, a depressão e a tudo que cabe entre os dois sentimentos. É a leitura de um diário de uma adolescente feita por uma mulher adulta que entende que nunca superará os sentimentos vividos ali, mas hoje isso não é mais algo ruim.