Lista: Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2020


Agora é a vez das internacionais. Muitos lançamentos aguardados reviraram o ano e serviram como bengala para seguirmos esse 2020 que abalou todas. Com toda a insegurança da pandemia muitas artistas ficaram naquilo “lanço ou não lanço”, o que exigiu grande coragem em colocar no mundo diante de um cenário tão incerto. Engraçado que muitos destes trabalhos parecem que foram feitos pra nos consolar, nos colocando pra dançar, quase nos fazendo comprar um globo e por no meio sala. Outros tocaram em assuntos tão urgentes. Alguns mais atingiram sentimentos tão íntimos como o medo, a solidão e a insegurança, palavras que foram chaves nos dias que se fizeram presentes diante da atual condição. Segue uma seleção de registros importantes para um ano que vimos tudo pelo digital.

30. Arca - KiCK i
A produtora e multiartista venezuelana chega no seu quarto registro de estúdio abraçando uma nova roupagem totalmente contemporânea que quebra não só a barreira de gêneros musicais que a artista apresentava nos registros anteriores, mas também fala ainda mais sobre suas intimidades, medos e conflitos. Arca saiu das brumas, apontou os holofotes pra si, contou sua história e nós, que somos fãs, compramos tudinho.


29. Natalia Lafourcade - Um Canto por Mexico, Vol. 1
A gente fala bastante de música regional no cenário brasileiro mas é muito importante ressaltar artistas que o fazem também na gringa. Natalia traz um álbum praticamente folclórico, que te leva às tradicionalidades mexicanas e ao mesmo tempo faz mescla a gêneros mais contemporâneos como o country intimista do Cantora-Compositora. Esperemos atentas pelo volume 2, que se for tão bom quanto o 1 provavelmente terá um lugar nas listas dos próximos anos também.


28. Yelle - L'Ère du Verseau
Depois de muitos anos deixando as chão de taco francófonas sedentas por alguma atualização, a dona do aclamado Complètement Fou (2014) volta depois de seis anos com mais um hinário do synthpop. L’ Ère du Verseau é um daqueles registros que te joga com força na pista de dança desde a primeira música, mas também te dá devidas pausas pra refletir sobre a vida.


27. Julianna Barwick - Healing Is A Miracle
Trabalhar histórias é algo bem presente e característico do gênero Ambiental, mas manter certa identidade em meio a tantos artistas incríveis e surpreender depois de tantos trabalhos bem sucedidos é algo que poucas pessoas conseguem. Barwick nos trouxe em 2020 um tempo pra remoer nossas piores dores e acalmar os nervos pra enfrentar tudo que precisa ser enfrentado em mais um excelente trabalho depois de quase cinco anos.


26. Caribou - Suddenly
2020 foi com certeza um ano marcado por trabalhos intimistas e de certa forma foi um momento onde conseguimos talvez enxergar os artistas de uma visão mais próxima e mais humana. O artista canadense Dan Snaith parou esse ano pra falar sobre sua projeção pessoal em sua família, e recomendamos fortemente que você ouça e sinta o que ele tem a dizer.


25. Bad Bunny - YHLQMDLG
É sabido que o mundo da crítica demonstra ter certo receio ao falar bem de trabalhos feitos pra uma abordagem totalmente comercial. Mas é também sabido que Bad Bunny vem chamando a atenção desde sua estreia com X 100pre (2018), e no seu segundo trabalho de estúdio, num acrônimo para "Eu Faço o Que Me Dá Vontade", Bunny se consolida como um rapper que trabalha muito bem suas sonoridades focadas no reggaeton e que pincelam o trap e o R&B de uma forma que o álbum relativamente longo parece ser consumido em minutos.


24. Dua Lipa - Future Nostalgia
Uma coisa é inegável: todo mundo cantou ou ouviu Don’t Start Now esse ano. Com a estreia do disco homônimo em 2017, Dua Lipa apresenta um segundo disco, com uma estética e conceito muito bem amarrados e trabalhados, evidencia o nítido amadurecimento da artista. Sendo uma das primeiras a dar largada em 2020 no “disco is back”, foi pega de surpresa com a pandemia, mas Future Nostalgia colocou muita gente pra dançar dentro de casa. O registro que tem como conceito a influência da música pop das décadas anteriores junto com o que há de mais atual no gênero, colocou a cantora como um dos nomes mais importantes do pop.


23. Yaeji - WHAT WE DREW 우리가 그려왔던
A aguardada mixtape de Yaeji, cantora e produtora estadunidense com origem sul-coreana, foi um registro de fôlego que era esperado depois da entrega de EP 's elogiados. Em WHAT WE DREW 우리가 그려왔던 a artista constrói faixas que mesclam os diferentes gêneros da música eletrônica. O movimento tão interessante do disco se deve principalmente pelas inúmeras colaborações e a interação que Yaeji construiu com cada um das/os envolvidas/os, funcionando como uma espécie de diário. De fato é um registro muito delicado e que reflete o trabalho minucioso de um dos expoentes da cena eletrônica num disco que flerta entre o som frito e momentos mais intimistas.


22. Baxter Dury - The Night Chancers
É fato que mudanças bruscas de qualquer artista sempre geram controvérsias por caírem no risco de além de ser uma perda da essência do artista, muitas outras vezes soarem como um tiro desesperado para o nada. Felizmente esse não foi o caso de Dury, que no seu sétimo trabalho de estúdio conseguiu se desenvolver de forma elegantíssima, em um synthpop totalmente versátil que mostra a maturidade e a certeza do artista.


21. Klô Pelgag - Notre-Dame-Des-Sept-Doleurs
No seu terceiro trabalho de estúdio, a artista canadense traz um excelente exemplar do pop barroco, de uma forma muito menos indie melosinho e muito mais madura do que nos seus trabalhos anteriores. É certo que ao mesmo tempo que trabalhos do gênero soam mais atemporais eles também podem soar monótonos, mas garanto a você que a última coisa que você vai sentir ao ouvir as costuras entre o clássico e o comercial ao longo desse álbum é tédio.


20. Lido Pimienta - Miss Colombia
Mais um álbum que exalta a cultura regional, Lido Pimienta te convida para a festa de quinceanera da artista canadense-colombiana. O álbum costura uma história de conflitos, romances e inseguranças de uma jovem que pode até soar como um conceito batido, mas a junção das raízes colombianas da cantora com o Art Pop, trazem uma musicalidade ímpar pro álbum, e parar pra ouvir sobre essa história pode ser uma de suas melhores descobertas desse ano.


19. Perfume Genius - Set My Heart on Fire Immediately
Set My Heart on Fire Immediately é daqueles discos que nascem com cara de clássico e que talvez os anos só o tornarão ainda melhor. Isso se deve ao trabalho tão minucioso de Mike Hadreas principalmente na composição de arranjos, são tantos os instrumentos que aparecem, que temos a impressão de estar diante de um concerto. Somadas a letras profundas que revisitam os momentos de dores e opressões diante de sua sexualidade ou de problemas familiares, o músico ressignifica como memórias de força para sua chegada até aqui. O disco é uma verdadeira catarse diante de um compilado de emoções tonificadas em uma narrativa tão bem amarrada.


18. The Weeknd - After Hours
Dialogando com as obras dos anos 80, The Weeknd em After Hours também foi um dos artistas que também beberam dessa fonte para a composição do disco. A junção de uma visão crítica diante de sua realidade somada ao sensualismo presente em obras anteriores, vestido de um R&B, aqui ganha nova roupagem com a aposta na maior presença de beats e samples e o uso de sintetizadores.


17. Fleet Foxes - Shore
Donos de uma excelente carreira no Folk, Fleet Foxes entregam em seu quarto trabalho a consolidação de suas expertises no gênero, numa obra que é fresca e ao mesmo tempo profunda, que brinca com diferentes nuances e traz inclusive participações de artistas nacionais como a presença de Tim Bernardes num álbum que fala muito sobre individualidades. Shore é um abraço quente nesses dias que vem sendo tão frios.


16. Rina Sawayama - SAWAYAMA
Desde seu primeiro EP, Rina já fez sua estreia ser altamente aguardada, e podemos dizer que todas as expectativas foram supridas. Nadando contra a corrente do pop “disco is back” deste ano, SAWAYAMA fala sobre conflitos culturais, xenofobia, machismo, e abre um leque pra um pop totalmente experimental que brinca com diversos gêneros e ainda assim consegue se manter digerível ao público geral.


15. Ela Minus - acts of rebelion
Ela Minus é da linha femme-faz-tudo. A cantora, compositora e produtora colombiana possui grande experiência na cena techno e com acts of rebelion apresenta um material de fôlego que não apenas expande tudo o que já havia apresentando como traz à tona a experiência de ser uma imigrante nos E.U.A e todas as políticas xenofóbicas de Donald Trump. O disco tem algo de punk em refrões que são verdadeiros gritos, porém também há um movimento muito interessante quando os sintetizadores se recolhem para momentos mais introspectivos deixando em evidência a voz de Milus; um tanto pop quanto mística.


14. Róisín Murphy - Róisín Machine
Depois de seu altamente falado Overpowered (2007), Róisín caiu de certa forma no esquecimento ao longo desses anos todos com trabalhos que não atingiram a genialidade pela qual ela ficou conhecida. Foi então nesse ano do "disco-is-back" na cena pop alternativa que Róisín trouxe um dos exemplares mais completos do gênero. Como um set que te faz dançar do começo ao fim, Róisín Machine é mais uma obra que entra pra lista das obras salvadoras da quarentena.


13. Laura Marling - Song For Our Daughter
Realizado como se fosse destinado para uma filha inexistente, Laura Marling entrega um disco para falar tudo aquilo que gostaria de ter ouvido. Como uma mão dada. Cantando sobre decepções, perdas e rompimentos a partir de uma carga melancólica mas não necessariamente triste, percorrendo o lugar da própria experiência para se chegar em ensinamentos que só mesmo o tempo pode lhe trazer. Marling ainda dentro do indie-folk se expande na busca por outras sonoridades dentro de um trabalho detalhista tendo sua voz e violão como protagonistas.


12. Kali Uchis - Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios) ∞
Após o grande sucesso de Isolation (2018), Kali Uchis vem com um obra que em seu título tem uma referência direta a um dos nomes mais importantes da literatura latino-americana, Gabriel García Márquez. O disco, que na maior parte do tempo é cantado em espanhol, dá sequência aos ritmos latinos que são a formação da cantora e compositora. Docemente amargo, Uchis está mais dançante e sedutora do que nunca, porém em diversos momentos o disco te pega em frases tão profundas construindo uma mistura de sentimentos marcada pela versatilidade do trabalho.


11. Porridge Radio - Every Bad
Entregue no primeiro semestre, Every Bad se manteve como um dos lançamentos mais fortes do ano. A estreia do grupo britânico, que usa do pós-punk como a matriz das canções, não poupou energia para expressar o que é ter vinte e poucos anos e não saber muito bem o que está fazendo, marcada pela voz rasgante de Dana Margolin. E o disco sabe fazer isso muito bem; energético e contido, melancolicamente decidido, traça caminhos que foram difíceis escolher.


10. Lianne La Havas - Lianne La Havas
Lianne La Havas após um hiato de cinco anos entrega um disco que é reflexo de rupturas ao longo desse período. Do compreendimento das dores e mudanças da vida, nos ensina que o processo é sobre enxergar a beleza da força encontrada, do que propriamente palavras para se reerguer. Ao longo desse tempo a artista amadureceu sua poesia e sonoridade, tanto que apesar de ser seu quarto álbum de estúdio, intitula com seu nome, entrega um trabalho minucioso ainda que carregado da essência de outros trabalhos. Para as fãs brasileiras, o disco de base R&B, da música soul e jazz, ainda conta com referências a Milton Nascimento.


9. Run The Jewels - RTJ4
Se tem uma dupla que conseguimos chamar de atemporais, são os integrantes de Run The Jewels. Nesse altamente aguardado quarto registro da carreira eles trazem letras extremamente fortes e necessárias, mas acima de tudo o que mais chama a atenção é a riqueza da musicalidade em um gênero que o ritmo nem sempre recebe sua devida atenção. Aqui você lida com um Hip Hop Clássico trazido pro ano de 2020 e vice e versa. Uma viagem no tempo que fala de problemáticas antigas e, infelizmente, ainda atuais.


8. Chloe X Halle - Ungodly Hour
As coroas de princesinhas do pop já podem serem entregues. Se houve artista que soube explorar muito bem o conceito de “faça em casa” durante a pandemia, essa dupla foi Chloe X Halle. Através de um disco que reuniu tudo o que há de melhor na música pop, Ungodly Hour reuniu conceito e acessibilidade em canções dançantes até derradeiros momentos de completo romantismo.


7. Moses Sumney - græ
Para aquelas que gostam do bom R&B cheio de fortes influências do jazz e do blues. Sumney trouxe um trabalho de duas partes totalmente importantes, complementares e ao mesmo tempo individuais, que constroem uma universalidade musical que fica difícil falar rapidamente sobre o registro. Cada faixa de græ costura uma narrativa única e garanto que a experiência auditiva é única da mesma forma.


6. Kelly Lee Owens - Inner Song
Apesar da palavra motriz que carrega o novo disco de Kelly Lee Owens ser “força” referindo-se a um renascimento. Ainda se tratando da rigidez que exige para se reconstruir o trabalho se costura através de detalhes tão sutis e delicados, utilizando a própria natureza como fonte de inspiração para a composição do disco. Usando a música eletrônica como base para os arranjos, Owens convida para dançar sem você saber exatamente por que está dançando.


5. Yves Tumor - Heaven to a Tortured Mind
Trazendo a beleza da desconstrução do Art Rock, e com participações magistralmente pensadas em cada momento certeiro do álbum, Yves Tumor constrói uma história dúbia de um ser que enfrenta conflitos internos sobre uma relação. As pontas soltas da narrativa contada nas doze faixas te fazem querer ser parte dessa busca do alívio em meio ao caos.


4. Sevdaliza - Shabrang
Depois de chamar a atenção do mundo no aclamado ISON (2017), Sevdaliza mergulha em ritmos como o Trip Hop e o R&B Alternativo para fazer um álbum sobre origens. Tradicionalismo, religião e todas as problemáticas que atravessam esses temas são contados pela multiartista irani-holandesa que explora elementos importantes de sua história. A verdade é que Shabrang te impacta desde a capa até os últimos versos da última música.


3. Phoebe Bridgers - Punisher
Com apenas 25 anos, Phoebe tocou o coração de todas as pessoas sem ter medo de falar dos medos internos e de expor intimidades que são deveras comuns a muitas pessoas, ainda mais nesses tempos, em um dos registros mais sensíveis deste ano pandêmico. Punisher é um daqueles álbuns que mesmo as mais altas expectativas criadas conseguem ser surpreendidas, numa digestão lenta, pesada, mas acima de tudo necessária.


2. Fiona Apple - Fetch the Bolt Cutters
Num ano onde o destaque foram as produções caseiras, Fiona entrega uma obra que traz como base do seu som sua própria casa. Um processo orgânico que evidencia as relações domésticas em todas as suas nuances, e mostram o lar de uma perspectiva tanto de aconchego como de encarceramento. Afinal, o conforto nem sempre é bom.


1. Jessie Ware - What's Your Pleasure?
Talvez seja o momento, talvez seja a coerência, talvez seja a roupagem nova dessa cena Disco que ninguém sabia que precisava até ouvir, mas o fato é que Jessie Ware surpreendeu a todos com o melhor registro do ano. What’s Your Pleasure? foi a amiga que te questiona mas te dá a resposta. Pega na sua mão, enfrenta o problema junto contigo e no final você apenas agradecerá por todo o aprendizado.